A educação com responsabilidade social Educadores e educandos assumindo o seu comprometimento ético diante do mundo. Autora : Jara Lourenço da Fontoura, Doutorando em Educação/ UFRGS, Mestra em Educação Ambiental/FURG/ Profª da Universidade Católica de Pelotas/ UCPEL/RS De todas as crises por que tem passado a humanidade, creio que a atual é de fato a que tem proporcionado a indução de um reavaliar sobre nosso pensar e agir diante do Mundo, pois está em causa para nós, o valor atribuído hoje à vida humana. Neste sentido, não poucas vezes ouvimos falar de uma certa “crise”. O que isso nos diz ? “A crise que hoje atravessamos não é somente de caráter, econômico, ou mesmo moral. Não se restringe a um país ou a uma determinada classe social. A crise que vivemos repõe certas questões que fundam e fundamentam o percurso de uma época. Por isso, encontramo-nos diante de um desafio: o de saber decidir e discernir, e de saber realizar uma superação criadora deste momento que nos permita alcançar um novo patamar de pensamento, uma outra maneira de experienciar o mundo e a nós mesmos. No caminho desta superação, temos de nos defrontar com uma questão essencial: O que significa para nós ser um ser humano?” (UNGER, 2001, p. 19) A educadora Nancy M.Unger traz com clareza a indagação primordial do momento. Entretanto, apesar do entrelaçamento de objetividade e subjetividade expostas sobre a nossa problemática existencial, a intenção parece não atingir as inteligências competentes, bem como as “vontades” e possibilidades institucionais que se nos apresentam. Temos a impressão de que o humano é esperança e é ameaça, diante das possibilidades de construção e de destruição. Sim, por conseguinte é necessário que a transformação ética e planetária ocorra dentro mesmo do clima de urgências que nos habita e que habitamos. Segundo muitos pesquisadores contemporâneos em educação, temos avançamos muito em termos de tecnologia, de ciência, de métodos de ensino, de pesquisa, de criação de novos paradigmas. Entretanto, a subjetividade não raro encontra-se numa teia de solidão, do homem-massa, do marasmo social, da inércia ética, do individualismo profissionalmente descomprometido, desconectado com o seu próprio sentido de ser. “Dominar e controlar tudo o que existe, romper a dimensão cosmopolita do homem, buscar mais e mais poder sobre a natureza, sobre tudo e todos, ou seja, valorizar o antropocentrismo, eis o eixo em torno do qual, enquanto civilização, gravitamos De um modo mais essencial, essa crescente aridez resulta de um desequilíbrio cujas raízes se situam no coração do homem. O que significam a devastação das florestas, a contaminação das águas e do ar, a extinção de milhares e milhares de espécies animais, a agressão que o homem comete a seus semelhantes através da espoliação, da opressão, do etnocídio, senão o espelho externo de uma condição interior do ser humano ?” (UNGER, 2001, p. 33 46-47) É patente a desigualdade econômica bem como a problemática social, educacional, ambiental..., que nos acossa. Gritam os “sem-terra”, os “sem-teto”, os “sem-saúde”, os desempregados, os presos, os andarilhos, as crianças abandonadas, os famintos de pão, os sem escola, as prostitutas, os analfabetos, os índios, os idosos desamparados, as mulheres que sofrem violência, enfim os excluídos em geral, para onde convergem os esforços dos movimentos sociais. Seria isso fruto do império da vontade de poder desvairada ? Desenraizamento existencial frente a um modelo civilizatório em xeque ? Tais questões amplas e interdependentes nos levam a pensar sobre a construção social das identidades e os modelos de sujeito ético em pauta. Será ele capaz de romper com o pré-estabelecido e emergir para a superação desse processo societário ? De quem é a “culpa”; que atores sociais são chamados à responsabilidade ? O que significa, nesse contexto, fazer política, economia, saúde, educação? Construímos afinal um mundo humano ? Se somos seres livres, vivemos em uma sociedade democrática e ainda podemos pensar, porque não conseguimos interferir como sujeitos históricos nesse processo ? Que imagens conseguimos afinal tirar deste processo todo? Se tivéssemos de montar uma amostra fotográfica desse caminhar educativo humano, como faríamos a seleção dessas fotografias? Em que circulo ideológico nos encontramos? O quê nos inviabiliza uma reflexão/ação concreta e positiva ? Para que servem as Universidades ? Segundo Enrique Leff, a Universidade tem sido afetada por toda uma gama de interferências que inviabilizam a sua real ação teórica , pois: “embora as universidades e instituições de educação superior gozem de autonomia formal (liberdade de pesquisa e de cátedra ) , suas atividades acadêmicas são afetadas pelos valores dominantes da sociedade na qual estão inscritas . Sua articulação com estas se estabelece através da demanda expressa de profissionais portadores de conhecimento e de habilidades úteis e funcionais para o sistema , e a canalização de recursos que repercutem na orientação de suas atividades . Deste modo , o mercado define vocações e cria interesses profissionais que internalizam a função eficientista , produtivista e utilitarista da racionalidade econômica dominante na formação de “capital humano” (LEFF, 2001 , p 202 ) Continua o autor dizendo que: “ As instituições educacionais e a universidade pública enfrentam políticas econômicas que orientam o apoio à educação , à produção de conhecimentos e à formação profissional , em função de seu valor no mercado. Isto tem criado obstáculos à transformação do conhecimento nas instituições educacionais ... (LEFF 2001 , p 223 ) Somos sabedores de que não é somente a universidade pública que enfrenta políticas econômicas que orientam o apoio à educação , à produção de conhecimentos e à formação profissional , em função de seu valor no mercado.Também sofrem esse processo as universidades particulares, onde a pressão ainda se torna maior. São tantas as ramificações que impedem o verdadeiro desabrochar do comprometimento da universidade diante do seu papel perante ao povo , que fica no ar inúmeras perguntas sem respostas. Como a Universidade pode pois, contribuir através do saber construído e adquirido/teórico/prático, estando, segundo Leff, tão contaminada? Quais foram os avanços e recuos desse processo sócio-interativo-educacional através dos séculos? Havia realmente um processo interativo profícuo dentro da instituição universitária no século passado? Em termos educacionais, a questão se coloca com premência. “Miranda (1988), Paoli (1988) e Peixoto (1992) questionam a estrutura departamental, cuja burocracia substitui a discussão acadêmica sobre os cursos pelas disputas por disciplinas, cargas horárias, afastamento, férias... (RIBEIRO, M. , 1999, p.380) “O currículo tem limitações para ser transformado que são impostas pela forma como a universidade está organizada. O corporativismo dos departamentos, cujos membros cerram fileiras em defesa de suas conveniências, mesmo à custa da negligência das funções sociais da universidade, constitui um sério obstáculo às mudanças nos cursos de formação do educador.” ( FREITAS apud RIBEIRO. M., 1991, p. 20-21)
Complementando esse pensar, trazemos a interpretação de Saviani sobre a redução das atividades acadêmicas como um ritual, no momento em que “[... “[...] as atividades acadêmicas ficaram reduzidas ao ensino que permaneceu como “um ritual esvaziado de conteúdo significativo”. As alternativas, para este autor, são construídas na mobilização e na participação dos segmentos acadêmicos, sendo imprescindível encontrar formas de superação da dicotomia entre curso e departamento.” (SAVIANI apud RIBEIRO, M., 1999, p. 384) Como se encontravam, então, o ensino, a pesquisa e a extensão no seio universitário ? “A associação ensino e pesquisa é também uma questão polêmica. Para alguns autores, o ensino sem a pesquisa faz da universidade apenas um 3º grau, ou um aperfeiçoamento do 2º grau. Para outros, ensino e pesquisa são incompatíveis. Mesmo dentro de cada uma dessas posições há divergências. No cotidiano, a associação/separação vem gerando conflitos internos bastante fortes, especialmente nos departamentos acadêmicos. As discussões estão centradas na associação ensino/pesquisa. A extensão quase não é considerada. Na maior parte das vezes, é marginalizada e tratada como atividade secundária” (MIRANDA,1988 apud RIBEIRO, 1999 , pág 369). A própria universidade parecia não ter uma definição consensual sobre a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Seus educadores não tinham uma avaliação unificadora sobre este processo, ficando explícita para a sociedade esta dicotomia intelectual. E com esta desconexão, sofre a sociedade como um todo. Marlene Ribeiro, buscando repensar o processo sócio-educativo da Extensão, encontra, em Pedro Demo um amparo para a construção do pensar pedagógico: “No texto de Demo (1982), a extensão está situada no mesmo nível do ensino e da pesquisa, colocando-se como exigência curricular a ser cumprida e garantindo-se o contato permanente e sistemático de docentes e discentes com as problemáticas sociais. O autor considera fundamental que a extensão universitária desenvolva projetos de política educacional e cultura com a rede de ensino de 1º e 2º graus, com o ensino supletivo e com a alfabetização de adultos. A “ Universidade Alfabetizadora” deve assumir um compromisso com os programas que desenvolve.” (DEMO, apud,RIBEIRO, M., 1999, p. 372) Refletindo sobre a universidade púbica brasileira , a educadora Marlene defende a sua postura diante dessa crise acadêmica, afirmando seu comprometimento diante dos três grandes pilares universitários: ensino, pesquisa e extensão, através do seu pensar, na medida em que entende que a indissociabilidade destes só pode se dar dentro de uma construção analítico- histórica, onde a atitude interrogativa sobre a realidade deverá surgir desde a base educacional infantil, estendendo-se até o meio acadêmico universitário. Salienta ainda que é mister que se repensem as questões legais/administrativas ,dentro da universidade, a fim de que estas viabilizem a indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão e, dessa forma, possamos ter projetos democráticos tanto para as universidades como para a sociedade. Dentro desta visão e pensamento acrescenta ainda que a cisão entre ensino pesquisa e extensão, precisa ser repensada e, socializando o pensar, atingir o elemento qualitativo mais que nunca. “A indissociabilidade entre ensino/pesquisa/extensão proposta para as licenciaturas precisa articular-se tanto com o ensino de 1º e 2º graus para os quais forma professores, como com os programas de pós-graduação onde são preparados os pesquisadores em educação. Estes programas, me parece, deveriam refletir sobre a qualificação que estão oferecendo, se esta serve apenas à concessão de um título ou se está voltada realmente para a formação do pesquisador. Que questões orientam a formulação ação de critérios de avaliação dos programas de pós-graduação em educação? Seria a quantidade de títulos exigidos pelas agências de financiamento? Ou os resultados quantitativos e qualitativos do que produzem em termos da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão na sua articulação com o 1º e o 2º graus, com a graduação e com movimentos sociais naquilo que estes têm de especificamente educativo?” (RIBEIRO, M, 1999, p. 389-390) Analisando sob este prisma, então, qual seria o compromisso social da universidade do século XX? E o que a impedia de cumprí-lo ? E a universidade particular será que se diferencia deste contexto? Para a grande educadora, Marlene, a extensão é o retrato do caráter de classe da universidade ou da exclusão das camadas subalternas. Portanto, quando a instituição universitária se coloca na condição de expor-se e de assumir seu compromisso social/real, e de estabelecer o diálogo com a comunidade é então, de fato, começa surgir a própria definição e concepção de extensão . A caminhada universitária tem sido construída, até então, com o pensar e a contribuição de grandes estudiosos, educadores, pesquisadores e extensionistas. Sem tal contributo, seria inviável o reconstituir histórico e as perspectivas para este âmbito. Estará a universidade, neste momento, pois, preparada para responder a demandas sociais do século XXI ? Existe diferença entre a concepção do compromisso social universitário particular e público? Até onde a instituição tanto particular quanto pública poderá avançar ? Teremos nós a condição de inovar depois de todos os modismos em educação ? Seremos capazes de “desaprender” para ,de fato, aprender? “Se realmente formos apostar na inovação, precisaremos antes de mais nada formar gente que tenha capacidade de inovar. Esse é talvez o grande desafio. Antigamente, falava-se em aprender certos conteúdos. Depois, na geração a que pertenço, insistiu-se que o fundamental não era aprender modelos ou regras, mas aprender a aprender. Agora, penso que é hora de modificar esse lema, sem porém o rejeitar, e de apresentar a idéia de que também é preciso aprender a desaprender.” (RIBEIRO, R., 2003, p.19) No século XXI, surgem outros olhares para dar continuidade ao fazer prático-pedagógico das universidades na área educacional e ambiental. A contribuição de Renato J. Ribeiro, Marcos T. Masetto e Boaventura de S. Santos, Enrique Leff entre outros, reflete o pensamento urgente de lutarmos pela construção de uma universidade atualizada, comprometida com o seu contexto, ambiente, humanizada, portadora de uma proposta político-pedagógica plural, redimensionadora do significado do Ensino, da Pesquisa e da Extensão universitários. São inúmeros os questionamentos diante da busca de respostas aos problemas construídos pela própria instituição de Ensino. Segundo Boaventura de Sousa Santos no seu livro Pela Mão de Alice (2001), ao pensar um outro modelo de atuação universitária perante aos fatores de crise identificados,.Sugere ele, teses que podem vir a servir como bússula no presente e futuro para o universo acadêmico. Dentre as onze teses significativas, salientamos quarta tese: “ A Universidade que se quiser pautada pela ciência pós- moderna deverá transformar os seus processos de investigação , de ensino , e de extensão segundo três princípios: a prioridade da racionalidade moral-prática e da racionalidade estético-expressiva sobre a racionalidade cognitiva –instrumental, a dupla ruptura epistemológica e a criação de um novo senso comum; a aplicação edificante da ciência no seio de comunidades interpretativas.” ( SANTOS, 2001, p.223) E comungando e ampliando este pensar, temos Leff que nos orienta para que as universidades tenham um olhar diferenciado e comprometido com as questões ambientais, argumentando que: “As universidades devem abrir-se a um processo de pesquisa em conjunto com as comunidades e populações nas quais existem os problemas ambientais , captando os problemas a partir das bases e desenvolvendo a elas o saber elaborado para sua aplicação em programas e projetos de gestão ambiental. As universidades devem incorporar temas como o resgate de saberes autóctones e populares , o amálgama de práticas tradicionais com conhecimentos tecnológicos modernos , assim como transmissão do saber ambiental e sua assimilação por parte das comunidades , para potencializar suas forças produtivas e a capacidade de auto gerir seus processos de desenvolvimento. A formação ambiental implica assumir com paixão e compromisso a criação de novos saberes e recuperar a função crítica, prospectiva e propositiva do conhecimento ; gerar um saber eficaz e inventar utopias capazes de levar os processos de mudanças histórica a ideais de igualdade , justiça e democracia; criar novos conhecimentos, métodos e técnicas para construir uma nova racionalidade social , na qual os valores culturais e os potenciais da natureza , desdenhados pelo empenho produtivista da modernidade , orientem o renascimento da humanidade do novo milênio.” (LEFF , 2001 , p 220 e 221 ) Urge, portanto, que, através de uma educação engajada, ética, comprometida com as questões ambientais e transformadora, o ser humano venha a ser um instrumento de harmonia planetária, a partir de pequenas ações e atitudes a curto prazo, até chegar, a longo prazo, a posturas desafiantes e libertadoras. È preciso urgentemente pensar o meio acadêmico, as relações ecossistêmicas que lá ocorrem , a teia da vida, a retroalimentação, a cadeia alimentar , a morte, os agrotóxicos, a semente boa deste processo todo, enfim termos coragem de espiar para dentro e reavaliar, de forma ética, as fotografias tiradas até então? E assim, diante deste desvelar histórico fotográfico, começar a deixarmos para as futuras gerações, imagens de esperança e de qualidade de vida! Renato Ribeiro no capítulo oitavo sobre a ”As humanas e sua aplicação prática “, no livro “A universidade e a vida atual” , na página oitenta e cinco, faz um questionamento sobre a difícil tarefa de entendermos o papel do conhecimento acadêmico, e diz que neste processo sócio educativo , deveremos ter em mente uma sociedade na qual as pessoas não sejam apenas mercado mas, também e sobretudo, público . E seu objetivo principal deverá ser, considerar a diferença entre as ciências humanas e as outras ciências, discutir qual a aplicação prática dos saberes que lidam “ com o ser humano. “ Para dar continuidade a este processo reflexivo, tomo como referência/alicerce novamente os pensamentos de Renato Ribeiro e de Enrique Leff . “ Se a fundação e funcionamento das ciências humanas são diferentes, o efeito prático do saber adquirido será – também- radicalmente diferente do das demais ciências. Não é o caso de usá-lo para dominar a natureza, entendida enquanto matéria distinta de nós. O que está em jogo é seu uso para um conhecimento que tem, de difícil e de essencial, o fato de ser do homem sobre o homem , e que por isso mesmo mescla em seu cerne o conhecimento e a ação , a razão e as paixões. Assim , sua eficácia se dá não no plano da produção das coisas, mas no da construção do mundo humano- indo desde o plano aparentemente individual, o da psicologia, até o plano social. (RIBEIRO, R., 2003, p. 90) “A universidade desempenha um papel fundamental neste processo de transformações do conhecimento e de mudanças sociais . Isto requer um espaço de autonomia acadêmica e liberdade de pensamento , tempos de maturação de conhecimentos e elaboração de novas teorias, processos de sistematização e experimentação de novos métodos de pesquisa e de formação que não podem ser substituídos pela capacitação técnica de curta duração , pela valorização mercantilista do saber, ou pelo espontaneísmo do ativismo ambientalista .O saber ambiental não se forma nem se esgota nos laboratórios e nas aulas universitárias , É um saber que se constitui na aplicação das ciências aos problemas ambientais , num diálogo entre os conhecimentos acadêmicos e os saberes populares.”(LEFF,2000) E é neste emaranhado de certezas e incertezas que nasce, a cada dia, a educação universitária e a minha paixão por reler, rever e revelar novos retratos de todo este processo, pois ao espiar para dentro , perco o medo de olhar de forma despoluída todo este momento fotográfico-mental-histórico, e assim me entendo como discente e docente, compreendo as gerações passadas, e como singela profeta do meu tempo, vislumbro as que virão para poder ajudá-las de forma construtiva e ética. O vivenciar sem medo deste processo continuo/reflexivo/avaliativo tem enquanto educadora e eterna aprendiz, me possibilitado fazer o entrelaçamento entre o ensino ,pesquisa e extensão. E foi vivenciando minunciosamante e de forma comprometida todo este processo sócio-educativo-interativo e ambiental, é que comecei a trabalhar com os catadores de papelão em 1980, através do Projeto Ecomunitarismo, e desde esta época podemos juntos com a comunidade universitária e a comunidade de catadores vislumbrar novos caminhos e concretizar nossas utopias. Este projeto nasceu em forma de homenagem de minha parte ao Drº Sírio Lopez Velasco/uruguaio, residente atualmente no Brasil, professor da FURG (Fundação Universitária do Rio Grande)/universidade pública. Este educador é escritor de vários livros e dentre eles escreveu Ètica para o século XXI/Rumo ao Ecomunitarismo em 2003. Para Velasco Ecomunitarismo é o regime comunitário pós-capitalista capaz de organizar as relações produtivas inter-humanas, entre os seres humanos em geral e entre estes e a natureza, conforme as normas éticas que deduzimos transcendentalmente a partir da pergunta” o que deve/devenos fazer?” . Pude por um longo tempo acompanhar suas idéias sobre: educação popular, Filosofia, política, a problemática sócioambiental, organização comunitária.... Fui sua aluna no curso de Pedagogia, monitora em Filosofia e mais tarde sua aluna no Mestrado de Educação Ambiental. Durante suas aulas fui aprendendo e vivenciando o preço de se pensar diferente e de forma ousada e ética darmos nossa contribuição, para a construção de um mundo melhor. Por isso sinto –me comprometida com que eu aprendi e desafiada hoje enquanto educadora em uma Universidade a dar continuidade a este “desvelamento da realidade” , como dizia o nosso saudoso e querido pernanbucano Paulo Freire. Assim nasce o Ecomunitarismo e após muitas lutas, assembléias ,enfrentamento diversos com vários segmentos da sociedade, as enchentes constantes, passeatas, discussões teóricas e políticas, vivenciamento de atividades interdisciplinares, o desenvolvimento da integração entre os saber acadêmico com o popular, neste ano finalmente em 2005, quatrocentas pessoas, as quais eram excluídas de vivenciarem sua cidadania, já estão morando em um lugar seguro, com água ,luz, organização comunitária , as crianças estudando, homens e mulheres buscando alternativas de renda de cabeça erguida, enfim a dignidade surgindo como um lindo pôr do Sol a cada manhã. Todos os acadêmicos que participaram e ainda participam deste projeto são unânimes em dizer que vivenciaram na integra ensino,pesquisa e extensão , e que por isso se sentem mais preparados para serem um profissional comprometido com o seu tempo . Finalizando esta breve reflexão sobre o comprometimento da universidade diante das questões sociais e reafirmo que é mister que consigamos, todos juntos, lutarmos por uma educação que nos liberte e também nos ajude a libertar os demais.
Bibliografia: _ LEFF, Enrique. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder, Petrópolis, RJ, Ed Vozes, 2001. _ RIBEIRO, Marlene. Universidade Brasileira “Pós-Moderna”, Manaus, Ed. da Univ. do Amazonas, 1999. _ RIBEIRO, Renato Janine. A Universidade e a Vida Atual, Rio de Janeiro, Ed. Campus, 2003._ SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela Mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade, São Paulo, Ed. Cortez, 2001. _ UNGER, Nancy Mangabeira. Da Foz à Nascente: o recado do rio, São Paulo, Ed. Unicamp, 2001. _ VELASCO, Sirio Lopez. Ètica para o século XXI. Rumo ao ecomunitarismo.Vale dos Sinos, Editora UNISINOS, 2003. |